18 de setembro de 2010

Substantivos: simples e compostos

O substantivo simples é aquele que possui uma base morfológica e semântica, pode ser uma base simples em que raiz e base se equivalem, como é o caso da palavra amor, entretanto pode ser  uma base montada a partir de raiz e sufixo como a palavra geleira, nesse caso a regra subjaz à palavra final, realizando o plural em geleiras, olvidando, portanto, a raiz gelo em suas futuras formações e flexões vocabulares. Em linhas gerais o substantivo simples é aquele formado por uma palavra, mas essa palavra não pode ser resultado de combinações de duas raízes ou duas bases como as palavras pernalta e aguardente. Já o substantivo composto é resultado de uma combinação, pois é formado pela junção de duas ou mais raízes ou base. A raiz é o cerne de uma palavra e a partir dela realizamos as derivações, como por exemplo: água que gera aguado, aguaceiro, aquário. A raiz possui uma história a qual muitas vezes não temos acesso, apenas a partir de pesquisas e estudos, pois como explicar que o adjetivo correspondente a árvore seja arbóreo: pela história da palavra que explica que em latim árvore era arbol.

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Os substantivos compostos geralmente são formados por hífen. O hífen é o elemento da escrita que tem a função de transformar duas raízes ou mais em uma palavra: estrela + do + mar. Assim, quando lemos a palavra estrela-do-mar não estamos diante de três palavras, mas de apenas uma, pois o hífen transforma esses três elementos morfológicos em um vocábulo único. Na verdade, a estrela-do-mar é um equinodermo cuja aparência e forma lembram a representação de uma estrela. Nesse sentido, a maioria das palavras compostas possui uma motivação externa para a sua criação e existência, vez que uma estrela-do-mar pode ser entendida com uma estrela do mar ou um equinodermo em forma de estrela que vive no mar. A palavra se autoexplica.

Em termos de significação a palavra estrela-do-mar também possui uma unidade. O substantivo é aquele que nomeia os seres, portanto a palavra estrela-do-mar está relacionada a apenas uma substância:  o equinodermo marítimo. Não temos estrela, nem do, nem mar separadamente, mas temos o substantivo com unidade de sentido única, resultado de uma combinação motivada externamente. Como unidade morfossemântica as palavras compostas estão sujeitas a regras de flexão próprias como o plural: estrelas-do-mar. Em alemão, esses substantivos são conhecidos como Komposition, isto é, Composição, porém em alemão as palavras se unem sem o auxílio do hífen, como por exemplo Fußball + Stadion que redunda em Fußballstadion: estádio de futebol. O que ocorre é que na ausência de um nome sintético surge um nome análitico fruto de uma motivação externa. Uma mula sem cabeça é uma mula sem cabeça; um beija-flor é um pássaro que tem por hábito "beijar" flores e assim sucessivamente. Às vezes essa tese, entretanto, não se confirma, como no caso de cachorro-quente, talvez por ser uma adaptação do estrangeirismo inglês hot dog, mas é possível que, averiguadas as condições de seu surgimento, se ache uma motivação externa.

Na análise de substantivos simples e compostos fica a ideia de raiz e de base, mas também fica a ideia de como poderiam ter surgido palavras compostas a partir de sua motivação externa. Em tese quaquer forma escrita pode se transformar em uma palavra e qualquer combinação das palavras existentes pode dar origem a uma nova palavra com unidade de sentido única. Às vezes em uma palavra composta também estamos diante de outro fato externo: a onomatopéia. O bem-te-vi é resultado de uma combinação onomatopaica, sugerindo um som trissílabo produzido pelo canto dessa ave.

Certos substantivos compostos, contudo, são compostos por aglutinação como aguardente ou por justaposição como girassol. Na aglutinação parte de uma das raízes é suprimida dando origem a uma palavra híbrida e às vezes com parte do morfema original suprimido com em planalto - plano + alto; na justaposição as palavras são simplesmente unidas sem prejuízo de forma para as raízes utilizadas: Pernalonga.

Substantivos Simples: flor, sol, mula, estrela, plano, oceano, mar, natureza, pão, vitória, cachorro e todas as palavras com uma unidade morfossemâtica.

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Substantivos Compostos:
vitória-régia; flor-de-lis; arranha-céus; mula sem cabeça, cachorro-quente, Pernalonga, pernalta, planalto, girassol, algodão-doce, pão-de-ló, guarda-chuva, rádio-relógio, guarda-municipal, guarda-roupa, maria-mole, porta-retrato, porta-bandeira, pé-de-moleque, amor-perfeito, mal-me-quer, couve-flor, lança-perfume e todas as palavras com mais de uma unidade morfológica e de motivação externa plurissemântica. Na verdade, os substantivos compostos que conservam um unidade semântica permanecem com o hífen de acordo com a nova ortografia em vigor após 2010, pois se há uma unidade e se há um sentido para a coisa designada deve haver hífen para que a ideia seja una, mas se for expressão não há hífen, pois há uma diferença entre um louco apaixonado que beija flor para sentir o seu aroma e o belo pássaro beija-flor que plana no ar.

Substantivos antigos que perderam o hífen são chamados agora de locução substantiva, o que, em linhas gerais, dá na mesma, pois se trata de uma combinação de elementos para significar apenas uma coisa.

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